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Tendências para o agronegócio brasileiro em 2021

Após um dos anos mais turbulentos da história do país, há um anseio geral pelo que será de 2021. O ano, porém, começou em meio à segunda onda da covid-19 em muitos países, incluindo o Brasil, mas também com pelo menos cinco vacinas prontas para aplicação em diferentes partes do mundo (nosso país começou seu plano de imunização no dia 17 de janeiro, em São Paulo).

Do ponto de vista econômico, os primeiros prognósticos são positivos: o Fundo Monetário Internacional diz que, após retrair 4,4% em 2020, a economia mundial vai se recuperar e fechar este ano com um crescimento significativo de 5,2%. No Brasil, o cenário é o mesmo: o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) calcula que a retração econômica nacional em 2020 foi de 4,3% – mas que vamos acabar este ano em alta de cerca de 4%.

As previsões, porém, ainda são repletas de incertezas: por um lado, o fim do auxílio emergencial (de R$ 600 entre abril e setembro de 2020, e depois de R$ 300 até o final do ano) fará com que o consumo interno seja impactado pela queda na demanda das famílias. Além disso, as medidas de restrição de circulação, que ainda estão sendo tomadas por causa da subida da curva de contaminados e mortos pela covid-19, também sustentam certo pessimismo com a recuperação da economia.

Por outro lado, no entanto, a manutenção da taxa básica de juros em 2%, o bom desempenho do varejo no auge da pandemia, no ano passado (principalmente dos supermercados) e o efeitos lentos, porém efetivos, da vacinação, servem de alento para projetar um 2021 com menos impactos negativos nas atividades econômicas do que no ano passado.

Todo esse contexto serve de pano de fundo para as perspectivas do agronegócio – o pilar da economia brasileira há alguns anos e que, pelas suas dimensões, têm peso decisivo em muitos outros setores econômicos (da indústria alimentícia ao transporte rodoviário).

O 2020 do agronegócio

Ao contrário de muitas outras atividades, o agro cresceu durante a crise da covid-19. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que o volume de produtos agrícolas exportados pelo Brasil em 2020 aumentou 12% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Isso significou uma alta de 4,8% no faturamento total do setor, mesmo levando em conta a desvalorização do real frente ao dólar, que fez com que, segundo projeções, os preços internacionais caíssem cerca de 6% (o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Universidade de São Paulo, calcula que essa taxa chegou a ser de 40% no decorrer do ano).

Essa mudança cambial, aliás, foi responsável pela inflação dos alimentos no mercado interno. Segundo uma pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), por exemplo, o custo da alimentação subiu 10,90% entre dezembro de 2019 e o mesmo mês de 2020, considerando apenas a região urbana mais populosa do país, a Região Metropolitana de São Paulo.

Para o Cepea-USP, a alta foi de 34% nos preços de produtos agrícolas considerando o intervalo entre 2019 e 2020 – puxada principalmente pela inflação do preço dos grãos (46%) e da pecuária (31%).

Do ponto de vista produtivo, da mesma forma, o ano de 2020 foi de crescimento. A maioria dos principais produtos agrícolas registraram expansão da produção, como o trigo (32%), o café (25%), o arroz (7%), o feijão (7%), a soja (4,5%) e o milho (4,5%).

Para muitos boletins especializados – e mesmo considerando os números da Funcional Consultoria – foi um ano de recordes. No total, calcula-se que a produção agrícola brasileira cresceu, no geral, cerca de 5% em 2020. São números excepcionais para um país que ficou paralisado praticamente metade do ano, com atividades econômicas encolhendo praticamente pela metade (casos do turismo e de certos segmentos do varejo, como vestuário, por exemplo).

Se houve números negativos, eles vieram da pecuária, onde a produção de boi teve queda de 6,2%, e a de leite, de 2%. Além disso, há quem diga que a indústria aviária praticamente estagnou em 2020, impactada pelo aumento do preço das rações. No entanto, o Cepea-USP calcula que, apesar das retrações, a agropecuária também encerrou o ano passado em expansão: 2,2% em relação a 2019.

O milho ficou em 2,5%, feijão e arroz, próximos a 7%. O café chegou a 25% e o trigo alcançou 32%. Não são, de forma alguma, números ruins. Foi, na verdade um recorde de produção. Pelas estimativas preliminares do Cepea, pela ótica do valor adicionado, o volume da produção agrícola expandiu 5%. Porém, o da pecuária encolheu 2,2% – com queda de produção de 6,2% para o boi e estagnação na produção de frango e 2% para o leite; a produção de suínos, do lado positivo, cresceu mais de 9%. O peso do custo das rações pode ter sido importante para esse resultado. Fechando as contas, tem-se que o volume da agropecuária em geral cresceu 2,2%.

O que esperar de 2021?

Os números de 2020 parecem dar fôlego para um otimismo renovado. A despeito de já ter enfrentando uma primeira (pequena) crise, depois de ouvir do presidente da França, Emmanuel Macron, que ser cliente do agronegócio brasileiro significa, em paralelo, apoiar o desmatamento da Amazônia, o setor se apega aos dados de 2020, mas também às previsões de agora, para planejar um novo período de recordes.

De fato, esses prognósticos são positivos: espera-se que o PIB agro cresça 4,2% (depois de despencar 5% em 2020, segundo o Cepea-USP), chegando a um Valor Bruto de Exportação (VBP) de R$ 900 bilhões. Além disso, a Conab já disse que a safra de grãos deve atingir um novo recorde de 265 milhões de toneladas na temporada 2020/2021 – 3,5% a mais que na anterior. A expectativa é que a temporada que começa em 2021 termine com nova alta, desta vez de 3,1%, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento. Para a pasta, só a soja deve ter expansão de 7,1% em sua safra, assim como o algodão (12%) e o feijão e arroz (2,5%).

Na agropecuária, a expectativa é de aumento de 5,5% na produção a partir do corte bovino e de 3,5% para suínos, de 3,5%.

Uma das perguntas mais importantes, no entanto, é sobre a China – nosso principal parceiro comercial. O gigante asiático cresceu 1,9% em 2020, taxa muito abaixo das médias de anos anteriores, mas deve encabeçar a demanda mundial sobre produtos como soja, milho, açúcar e café, além de algodão, carne bovina, suínos e aves brasileiros.

Além disso, previsões internacionais já sustentam que a China deve manter a estratégia de comprar alimentos para além de suas necessidades imediatas, formando grandes estoques, enquanto outras apontam que a chegada de Joe Biden à presidência dos Estados Unidos, a partir deste mês, apaziguará os ânimos do jogo internacional, favorecendo países emergentes, como o Brasil.

O governo chinês já anunciou que a previsão é de crescimento de 7,5% em 2021, puxado pelo consumo doméstico e pelas exportações de produtos manufaturados.

Por fim, o agronegócio brasileiro deve seguir produzindo e vendendo em meio a um desequilíbrio cambial: o Fundo Monetário Internacional já diz que a alta dos preços em dólares de produtos agrícolas vão persistir neste ano, chegando a 4% para o grupo de alimentos e bebidas e de 2% para outras matérias-primas.

Portanto, vai ser, sobretudo, um ano importante para equilibrar os custos produtivos, o volume de exportações e manter a diferença do câmbio na ponta do lápis.

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