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Sobrevivência corporativa

Em recente artigo publicado pela revista Harvard Business Review Brasil (jan/2016), os professores Martin Reeves, Simon Levin e Daichi Ueda apresentaram um interessante estudo acerca da expectativa de vida de grandes corporações, comparando a sobrevivência corporativa aos ecossistemas naturais. Para eles, a biologia da sobrevivência dessas empresas guarda surpreendentes lições para o mundo dos negócios.

O desafio, segundo os estudiosos, é adaptar-se às crescentes complexidades do ambiente de negócios, deixando de apostar em abordagens estratégicas imediatistas, passando a enfatizar conceitos de longo prazo, que produzam robustez ao negócio. Diante de ambientes de risco distintos, é necessário que a empresa adote abordagens diferentes, tanto em sua estrutura, quando em sua gestão. 

Estruturalmente, conforme o referido estudo, é necessária a aplicação de uma heterogeneidade, uma diversificação de pessoas, de ideias, inovações e empreendimentos, visando proteger a empresa de um colapso advindo de mudanças dentro e fora do setor, que tornariam o modelo de negócio da empresa obsoleto.

A modularidade entre sistemas de negócios, que se traduz por barreiras ou conexões livres entre os componentes do sistema de negócios, livram a corporação de um risco de contágio total do ecossistema, enquanto a redundância, duplicação de componentes do sistema de negócios, elide o risco de fat-tail – ameaças produzidas em situações extremas, como desastres naturais, terrorismo e agitação politica.

Quanto às estratégias gerenciais, é aconselhável esperar sempre por surpresas a fim de reduzir incertezas, passando então a detectar sinais, padrões de mudança que indiquem o risco de descontinuidade, já que o ambiente empresarial tende a evoluir abruptamente e de maneira imprevisível.

A criação de mecanismos adaptativos também serve para monitorar possíveis mudanças e fomentar variações de negócios, de forma rápida, evitando o risco de obsolescência de produtos ou serviços, já que poderá adaptar-se com maior facilidade às novas necessidades dos consumidores.

Por fim, alimente a confiança e reciprocidade entre os demais participantes do ecossistema, afastando, em definitivo, o risco de rejeição de sua empresa, como parceira de negócios. Afinal, em se tratando de negócios, quem permanece vivo nem sempre é o mais forte, mas aquele que se adapta mais rapidamente.

Artigo publicado originalmente na Revista Aldeia, ed. 93, março de 2016.

 

Matheus Sobocinski