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Quais motivos levam empresas brasileiras a investir no Paraguai?

Já se foi o tempo em que falar do Paraguai era sinônimo de comércio informal. O país se tornou uma das economias mais estáveis e promissoras da América do Sul e vem atraindo investidores de todo o mundo. O motivo é a principal dor do contribuinte brasileiro: imposto.

Lei Maquila de Exportação e outras vantagens

O projeto Maquila prevê a cobrança de um único tributo:  1% sobre o valor agregado na mercadoria industrializada e exportada. Essa lei foi regulamentada no final da década de 90, mas desde 2013 uma forte campanha começou a aproximar mais empreendedores do Paraguai.  Mais de 165 empresas estrangeiras se instalaram no Paraguai por meio do projeto Maquila, sendo que 115 foram nos últimos anos (fonte: Câmara de Empresas Maquiladoras do Paraguai - Cemap, Primeiro Encontro de Maquiladores do Alto Paraná - 2018).

Além do imposto de apenas 1%, outras vantagens atraem os investidores, especialmente os brasileiros: energia elétrica barata ou até mesmo isenta, menos burocracia e taxa cambial estável. O custo com mão de obra também é mais baixo, não pelo salário pago aos trabalhadores, mas por conta da carga tributária o desembolso do empregador é menor.

Política paraguaia

Politicamente, o presidente Paraguaio Mario Abdo Benítez, o “Marito”, se comprometeu com a continuidade do projeto, com impostos baixos e isenções para estimular o investimento estrangeiro e a produção agrícola do país, que é o 4º exportador mundial de soja e importante produtor pecuário.

Devido a esse ambiente promissor, empresas como a Riachuelo e a Brinquedos Estrela abriram plantas de produção no Paraguai. Dessa forma, possuem menos dependência do seu principal produtor: a China. Com a produção mais próxima de seu principal mercado (Brasil), elas garantem melhor qualidade dos produtos. E ainda reduzem drasticamente o tempo e o custo do transporte entre a fábrica e o consumidor final.

Fábrica de oportunidades

Seguindo essa linha, não é utópico pensar que muitos dos produtos que adquirimos no Brasil e hoje são estampados com “Made in China”, sejam substituídos pelo “Hecho en Paraguay”. A empresa HN já faz isso, com fornecimento de cabeamento para a Hyundai e Kia. Também seguem a mesma linha a Yazaki, que fornece para a Renault e a Fujikura, da Volskswagen. Além disso, alguns setores da economia ainda conseguem acessar outros países com mais vantagens. O segmento da indústria têxtil, por exemplo, consegue acessar toda a Europa com alíquota praticamente zero. No Brasil seria de 25% a 36%, dependendo do produto.

É importante ressaltar que, como toda economia que cresce na América Latina, o Paraguai tem alguns problemas a enfrentar, como a sua baixa qualificação de mão de obra. Segundo o FMI, o crescimento em curto prazo veio sustentado pelos sólidos fundamentos macroeconômicos, como baixa inflação e contas públicas estáveis, além de demografia favorável, menor custo de importação de petróleo e setor elétrico competitivo. Porém a dependência das commodities ainda é um percalço a ser superado, assim como algumas deficiências estruturais e gargalos do país.

De qualquer forma, diante desse cenário, falar que tem negócios no Paraguai já não é mais alvo de olhares desconfiados, mas sim demonstrar que é um empreendedor antenado com os movimentos do mercado.

 

Márcio Folle, coordenador de contas na Funcional Consultoria