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Por que Macron está errado sobre o agronegócio brasileiro?

Declaração do presidente francês sobre soja nacional pode fazer produtores nacionais refletirem sobre suas práticas – e pensarem no ESG

A declaração do presidente da França, Emmanuel Macron, de que continuar a depender da soja brasileira é a mesma coisa que ser “conveniente com o desmatamento da Amazônia”, pegou mal no agronegócio.

Nas horas seguintes à reprodução da fala de Macron nos principais veículos de imprensa do país, o que ouvi de alguns empresários é que ou o governo francês desconhece totalmente as atividades do setor, ou que seu objetivo é exatamente travar uma guerra comercial com o Brasil (e o Mercosul). No final, houve quem disse que, se o país europeu não quiser mais comprar o grão brasileiro, “há quem queira”.

Não discordo de nenhuma dessas reações.

Na verdade, a frase do presidente francês diz mais sobre o contexto político e econômico internacional do que sua preocupação com a floresta amazônica. Em 2020, segundo o Ministério da Agricultura, a França importou 1,7 milhão de toneladas de soja do Brasil.

Neste ano, porém, o país pretende usar €100 milhões (R$ 639 milhões, na cotação atual) para subsidiar a produção do grão em seu próprio território.

Como isso se justifica? Da seguinte forma: ao atacar o seu maior fornecedor atual, Macron não precisa se preocupar com as reações negativas internas em relação à decisão de financiar a produção francesa.

Ainda que tenha sido mais uma jogada política no cenário político francês, no entanto, o agronegócio brasileiro deve refletir a partir dela – e procurar saber se outros clientes do mercado internacional não olham para o produto agrícola da mesma maneira. A pergunta correta é, então, se estamos conseguindo passar aos importadores estrangeiros a ideia de uma autêntica preocupação ambiental.

Ao contrário de muitas narrativas, o agronegócio sabe que, se não cuidar do meio ambiente como um todo, suas próprias atividades estarão com os dias contados. Exceto pouquíssimas exceções, a maioria dos produtores nacionais já atuam neste sentido: na temporada 2020/2021, por exemplo, o crescimento de terra plantada foi de apenas 1,6%, enquanto a produtividade subiu acima de 3%.

Sendo assim, como o maior produtor de grãos do planeta pode mudar essa imagem perante a comunidade internacional?

O ESG como solução

A resposta está no ESG (ou ASG, em português, que significa Sustentabilidade Ambiental, Social e Governança). Isto é, os produtores do agronegócio brasileiro podem devolver a declaração do presidente francês apresentando a ele os manuais de boas práticas que usam em suas empresas, fábricas de insumos, de maquinários agrícolas, de sementes, ou nas suas fazendas e sítios.

Em outras palavras, está na hora do setor começar um trabalho árduo, mas extremamente lucrativo, de profissionalização das suas atividades, indo em busca de certificações internacionais diversas – principalmente de sustentabilidade, que atestam boas práticas com o meio ambiente e aumentam a presença e o vigor no mercado estrangeiro. Com elas, seria muito mais difícil o governo de um país europeu repetir a fala de Macron, por exemplo.

Abrir novos mercados, ir além dos compradores atuais, cobrar o que a produção realmente vale – e mesmo voltar a atrair a atenção dos clientes franceses: tudo isso é possível por meio do ESG.

Escrito por Alexandre Mori, head de expansão da Funcional Consultoria

 

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