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Os desafios da retomada da economia brasileira

O segundo semestre de 2020 está sendo um momento de reaquecimento econômico para alguns setores. A crise financeira mundial associada à pandemia do novo coronavírus deixou grandes desafios para os governantes neste período de retorno aos negócios.

O remanejamento de recursos públicos para conseguir realizar investimentos sem ultrapassar o teto de gastos é um ponto de atenção para o cenário atual. Além disso, mudanças nos valores e nos beneficiários do auxílio emergencial são pontos que também estão em discussão e devem impactar a retomada da economia.

Os desafios e alternativas

A retração econômica originada de uma crise dessa magnitude causa desemprego e redução do poder de compra para a população, o que é de grande importância para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2019, o consumo das famílias brasileiras correspondeu a 65% do PIB, portanto é preciso lançar mão de estratégias que mantenham o dinheiro em circulação.

Nesse sentido, o pagamento do auxílio emergencial para 6 milhões de famílias foi – e está sendo – fundamental para que o cidadão consiga manter o acesso aos produtos básicos e de primeira necessidade para o lar. Com isso, produtores e comerciantes de todos os portes têm a oportunidade de se manterem ativos em seus segmentos devido a adaptação e inovação nas entregas de produtos e serviços.

Porém, a retirada desse recurso terá que ser feita em breve e, para isso, está em estudo a instituição de um novo programa social, o Renda Brasil, que deve beneficiar 20 milhões de famílias. Junto a isso, discute-se a retomada de obras públicas para que haja geração de novos postos de trabalho e que o capital financeiro circule sustentavelmente entre a população.

Com relação à ajuda para as empresas, em momentos de crise é comum que a liberação de crédito pelas instituições financeiras seja mais rigorosa. Assim, o histórico do cliente junto ao banco de relacionamento é analisado, bem como sua capacidade de liquidar a dívida. Portanto, a obtenção de crédito pode ser mais difícil para às empresas que expõem, em seus dados, dúvidas quanto à possibilidade de quitação do crédito contratado. Por isso, é importante manter a documentação da empresa sempre atualizada, tais como os últimos balanços, balancetes, detalhamento do endividamento, suas fontes e aplicações, estatuto da empresa, informações sobre os administradores e controladores.

Uma forma de ajudar as empresas a enfrentarem a pandemia de Covid-19 e reduzir o desemprego, foi o desenvolvimento de programas para obtenção de crédito com taxas mais baixas. Por exemplo, o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), que determina que aqueles que forem aprovados não podem reduzir o número de funcionários durante o período em que estiverem recebendo os recursos. Vale citar que as empresas de médio e grande porte também podem acessar outras linhas de crédito, como as do BNDES. Entre as linhas está o financiamento a capital de giro, direcionado a empresas de grande porte (empresas âncora), para atender a necessidade de liquidez de sua cadeia produtiva, formada por empresas de menor porte (empresas ancoradas).

Indicadores econômicos

De acordo com dados recentes divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 45% das empresas que atuam no país afirmaram que foram impactadas pela pandemia no mês de julho, um número inferior ao referido em junho (62,4%). Esses dados indicam que grande parte das organizações sentem uma melhoria e um reaquecimento do mercado, porém ainda há um longo caminho a ser percorrido.

Dentre as atividades brasileiras, a agropecuária segue quase que inabalada pela pandemia de Covid-19. A expectativa da Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da Esalq/USP é de crescimento de 15,23% no ramo agrícola e de 12,24% no pecuário.

Os indicadores econômicos estão mostrando uma melhoria contínua. Um exemplo é a projeção do PIB brasileiro para 2020, que de acordo com o Relatório de Mercado Focus deve apresentar queda de 5,52%, enquanto para 2021 a previsão é de alta de 3,5%. Ainda que pareçam números tímidos, eles estão melhores a cada novo relatório. 

Outro indicador muito importante para ser avaliado é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é tido como um termômetro para o aquecimento econômico. Na última divulgação realizada pelo IBGE, a indicação era de fechar o ano com uma inflação próxima a 1,78%.

Assim, muito se tem dito sobre uma recuperação em “formato V”, o que significa que a economia deve crescer na mesma velocidade e força com que foi afetada pela crise. Outros economistas são um pouco menos otimistas com relação a suas análises financeiras, mas a opinião geral é de que a recuperação será mais acelerada do que o esperado desde que o novo coronavírus chegou ao Brasil.

 

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