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O ESG é muito mais que plantar árvore. Veja o porquê!

O ESG se tornou, enfim, o mainstream dos negócios e das finanças. Em seis anos, a quantidade de fundos globais ancorados em estratégias de investimentos sustentáveis chegou a R$ 156 trilhões de reais, segundo a consultoria McKinsey. Esse valor é equivalente a um terço de todos os fundos negociados no mercado financeiro mundial neste período.

Dados como esse sugerem que investidores nacionais e internacionais, além de executivos, CEOs e instituições financeiras, estão cada vez mais entregando relevância ao conceito de ESG nos negócios — e fazendo com que outras áreas também se debrucem sobre ele, como as universidades, que já começam a produzir os primeiros estudos sobre melhoras nos resultados e baixo nível de risco em adotá-lo.

No Brasil e na América Latina, o ESG é um conceito ainda mais novo do que para outras partes do mundo, mas está em rápido crescimento. Nesta semana, o Bank of America publicou um relatório afirmando que, apesar de pequeno, os investimentos em fundos e em empresas que já adotaram o conceito estão crescendo. O estudo mostra, por exemplo, que 90% dos investidores que atuam na região já usaram critérios de ESG para tomar uma decisão de negócio. No começo do mês passado, vale lembrar, grandes instituições bancárias brasileiras, como o Banco do Brasil e o Itaú, fizeram anúncios sobre suas entradas neste tipo de fundo.

Por tudo isso, a Funcional Consultoria também tem falado muito sobre o assunto. Seja em reuniões com clientes, em propostas de negócios, nas nossas redes sociais ou em definições de planejamentos com nossos parceiros, nós temos visto o ESG cada vez mais como o futuro dos negócios no País.

Há dois meses, para dar cabo a toda essa relevância, a Funcional organizou um webinar para esclarecer os principais pontos que ainda permanecem difusos sobre o conceito. Estiveram lá, além de Alexandre Mori e Samuel Campos, nossos heads de Expansão e de Gestão Empresarial, dois dos nomes mais relevantes do ESG no Brasil hoje: Leisa Souza, head para América Latina da Climate Bonds Iniciative, e Patrícia Rabello, consultora sênior da Ideia Sustentável (veja o webinar abaixo).

 

O que eles acham sobre o E ("Environmental" ou "ambiental") do ESG? Por que as empresas devem se preocupar com ele? E como fazer isso? Abaixo, alguns insights do webinar sobre sustentabilidade para o seu negócio.

O mercado definitivamente não quer mais apenas resultados financeiros

Desde a década de 1970, quando surgiram os primeiros fundos sustentáveis no mercado financeiro, os fluxos globais têm apontado para uma mudança estrutural no modo como as empresas de todos os nichos e de todos os portes devem ser: mais do que resultados financeiros, espera-se delas que também promovam benefícios sustentáveis ou, ao menos, que não agridam o meio ambiente.

Essa demanda só cresceu de lá para cá: passou pelo chamado Clube de Roma, na Europa, chegou ao movimento de responsabilidade ambiental sobre o agronegócio estadunidense, no final dos anos 1980, e agora atingiu seu ápice com o ESG, em meio à pandemia — e que ganhou força com o mercado financeiro. Mesmo no Brasil, alguns fundos sustentáveis existem na Bolsa de Valores de São Paulo há 15 anos. Mas por que isso aconteceu? Para Patrícia Rabello, a resposta passa pelo papel decisivo da maior gestora de fundos de investimento do mundo (com cerca de US$ 7 trilhões em ativos): a BlackRock.

Na metade do ano passado, Larry Fink, CEO da BlackRock, enviou uma carta aos CEOs das empresas que fazem parte da sua cartela de clientes, dizendo que pararia de investir em todos aqueles que não tinham projetos sustentáveis ou, mais do que isso, não apresentavam nenhum propósito.

"Ele já tinha enviado outras cartas parecidas, não era nenhuma novidade, mas aquela foi mais do que isso: foi um ultimato. O ponto dele era que, se as empresas não estivessem atentas à sustentabilidade, mais do que deixar de ganhar, elas iam perder", comentou ela.

"Mas talvez a grande questão que essa carta trouxe foi de outra ordem. Ele quis dizer que as empresas não podem mais gerar apenas resultado financeiro no longo prazo. Essa é, sem dúvida, a grande mensagem. É dizer: 'Chega! Precisamos trabalhar sobre isso'".

Empresas sustentáveis também são uma demanda do mercado

Se o ESG diz respeito a um espírito do tempo, um estado da arte dos negócios, em que as empresas não podem mais deixar o tema sustentável de lado, porque senão ficarão para trás, também é verdade que essa é uma demanda manifesta dos mercados. Um estudo da McKinsey prova isso: para a consultoria internacional, adotar as práticas do conceito já significa, para muitos negócios, não apenas expandir mercados, como abrir outros que ainda estão fechados.

Em uma pesquisa realizada em meio à pandemia de covid-19 nos EUA, a consultoria descobriu que sete em cada dez consumidores (70%) topariam pagar até 5% a mais do valor de um produto — seja ele um automóvel, um aparelho eletrônico ou um alimento perecível — se ele tiver um selo verde, isto é, se tiver sido produzido seguindo padrões sustentáveis, como o uso de energias limpas, por exemplo.

No Brasil, 1,4 milhão de consumidores adquiriram produtos com propostas sustentáveis apenas no período entre junho de 2019 e maio de 2020, segundo um levantamento do Mercado Livre.

Para Leisa Souza, da Climate Bonds, isso releva a importância para as empresas de saber "o que é verde". É por isso que instituições como a dela ajudam negócios que querem receber títulos verdes. "Abre um novo leque de investimentos, sem dúvida. Vários tipos de emissores podem demonstrar ao mercado que estão preocupados com suas operações, que querem torná-las mais verdes e, fazendo isso, tendem a ter uma recepção de um número cada vez maior de consumidores que já demandam produtos ou serviços que atendam esses requisitos", disse.

"E o leque é bem grande: não são apenas os compradores, mas também bancos, instituições internacionais, investidores, etc. O mercado de títulos verdes deslanchou, aliás, porque ele é, principalmente, financeiro. Hoje, quando você emite um título verde, você está à frente dos outros", completou.

 

Empresas verdes atraem mais investimentos

Uma postura ambiental forte pode aumentar significativamente o retorno financeiro – embora este não seja mais o único objetivo –, já que articula demandas de investidores e instituições financeiras, mas também dos consumidores em diferentes mercados. Esse é, talvez, o grande insight sustentável do webinar: adotar o ESG pode fazer um negócio crescer mais rápido e de forma mais equilibrada.

Por quê? Em primeiro lugar, porque faz com que as empresas sejam mais atrativas aos investidores. Diversos estudos em muitos países distintos já mostraram que, uma vez adotando práticas sustentáveis, a tendência é que os negócios progridam. Um estudo recente que provou isso foi o da consultoria internacional Morningstar, que mostrou como, entre 2009 e 2019, quase 60% dos produtos e serviços sustentáveis disponíveis no mercado europeu tiveram desempenhos melhores do que produtos e/ou serviços comuns. No caso de ações, esse número é ainda maior – 72% dos fundos de ESG sobreviveram ao longo da década, enquanto a taxa foi de 46% para ações comuns.

É também uma visão de futuro do negócio, já que esse parece ser um caminho sem volta. Assim, uma visão estratégica hoje leva em consideração que o retorno de um investimento depende de uma atitude agora: quanto mais as empresas dependem de energias não renováveis ou de operações que agridem o meio ambiente, mais essas mesmas práticas vão inviabilizar os negócios no futuro.

“Uma empresa verde é, sem dúvida, um diferencial. Talvez o grande ponto do ESG, aliás, seja esse: como uma empresa que o adota entra em linha com tudo o que os investidores estão procurando hoje. E, então, se torna uma oportunidade para crescer como um agente de mudança, mas também do ponto de vista financeiro”, diz Leisa Souza.

Para Patrícia Rabello, da Ideia Sustentável, por sua vez, não há problema de empresas que ainda não adotaram o ESG começarem focando na performance. “Tem muita coisa em jogo: são as metas que são colocadas, os compromissos que a empresa assume, a maneira como ela faz para chegar a esses objetivos e, principalmente, o quanto ela consegue ser transparente com o mercado – em coisas que ainda não foram atingidas, inclusive", diz.

"Se eu fosse resumir o ESG em uma palavra, eu diria que ela seria, justamente, a performance", finaliza.

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