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Novas gerações: os funcionários que não conhecem o NÃO

Primeiro, a geração X

Quem não se recorda dos pais ou avós dizendo “não, não e não! Porque não. Porque eu estou mandando”? Quando pequeno, era muito comum ouvir essas frases várias vezes ao dia. As pessoas dessa época são da geração X, considerada conservadora, e cresceram sob influências rígidas de seus pais e avós. Cenário bem diferente do das novas gerações, que se desenvolveram ouvindo que estão prontos para enfrentar o mundo. Seus pais dizem que eles podem fazer isso e, acredite, eles podem. 

O comportamento das gerações Y, Z e Alpha

A nova geração ouve seus primeiros “nãos” no ambiente de trabalho, mas o que é a palavra "não"? É uma abstração. O “não”, por si só, não quer dizer nada, pois, imediatamente, o cérebro se fixa no que vem depois do “não”. Para saber no que não pensar, nossas mentes precisam primeiro pensar.

Crescer sem limites e sem ouvir a palavra “não” pode trazer efeitos devastadores e sentimentos de frustração, pois não prepara o indivíduo para lidar com adversidades.

A geração dos millenials, ou geração Y, como são denominados os nascidos entre os anos de 1980 e 1995, tem um perfil mais ousado e uma visão mais otimista em relação ao futuro. Eles estão sempre conectados e manifestam urgência em viver o presente.

Buscam mais do que uma fonte econômica: para eles, o trabalho é fonte de satisfação e aprendizado. Por consequência, isso afeta os aspectos relativos à vida organizacional, bastante valorizada pelas gerações anteriores, como a carreira, estabilidade e vínculo profissional. Eles são decididos e voltados para resultados; não lidam bem como restrições, limitações e frustrações, o que os leva a não sentirem medo da rotatividade de emprego.

A geração Z, dos nascidos entre os anos 1995 e 2010, é a geração que cresceu em um mundo onde quase tudo se faz com um dedo deslizando pelo ecrã. É especialista em tecnologia, agitada, ansiosa e imediatista, pois tem acesso às informações de forma rápida. Essa geração considera muito mais a competência real do que a hierarquia e deseja que os avanços sejam rápidos. Mas, uando isso não ocorre, desiste ou fica desmotivada.

Falando de novas gerações, não poderia deixar de citar a geração Alpha, nascida depois de 2010, que aos poucos está buscando seu espaço nas organizações. Quem se enquadra nela preza pela diversidade e espontaneidade, é atento e observador.

É a geração mais conectada da história e acredito que já não diferencia com clareza a vida on-line da off-line. Em casa, a educação vem sendo tratada na horizontal, menos hierárquica, onde se estabeleceu uma relação de troca entre pais e filhos, o que futuramente vai se refletir no ambiente de trabalho, podendo levar ao não discernimento do nível hierárquico nas organizações.

O que as gerações Y, Z e Aplha têm em comum?

As novas gerações trazem o perfil de funcionários positivos e confiantes que procuram a liderança e esperam que o empregador ouça e respeite suas ideias. A geração Y é formada por funcionários que começaram a entrar no mercado de trabalho mais tarde do que a geração X e procuram um desafio, não querem experimentar o tédio.

A geração Z é extremamente curiosa e não tem medo de questionar o porquê de fazer algo. É crítica e exigente, quer um trabalho que proporcione autorrealização, já que a remuneração não é prioridade. Tem um jeito diferente de pensar e não quer por perto alguém da geração X, que quer controlar o trabalho ao seu redor, pois essa nova geração busca flexibilidade e autonomia.

A geração Alpha, denominada a mais inteligente e impulsionada pela tecnologia, com mais diálogos e menos hierarquia em casa, será criadora de conteúdo, produtos e serviços. Ela já é um desafio para educação e tem capacidade de deter um maior conhecimento tecnológico.

As últimas gerações, por cresceram em um ambiente livre, sem condicionamentos antecedentes, apresentam dificuldades com as restrições, com o sistema de hierarquia, com a frustração de ouvir a palavra “não”

Como as empresas podem lidar com as novas gerações?

Para abordar essa questão de forma natural, muitas empresas vêm apostando em capacitação para vencer a imaturidade da nova geração: promovem treinamentos, proporcionam momentos para feedbacks e criam ambientes lúdicos. Tudo feito com o intuito de auxiliar o funcionário a aprender o que realmente nunca aprendeu sobre sua postura e comportamento no ambiente de trabalho, pois os líderes ainda são figura de autoridade (o que não quer dizer autoritarismo).

É necessário passar valores e ética para as novas gerações.

Analisando a constante evolução de gerações, fica a incógnita: as últimas gerações de jovens funcionários não toleram o "não", são mimadas e não respeitam hierarquias? Ou são as empresas que não estão preparadas e adequadas para atender essa nova realidade do mercado?

A responsabilidade sempre está voltada para o indivíduo, esquecendo-se de um sistema, de uma cultura e de novos paradigmas que surgiram com o encetamento da tecnologia e da quantidade e frequência de informação que temos à disposição nos dias de hoje.

 

Roseli Rodio – Psicóloga – Consultora Trabalhista e Previdenciária