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ESG: moda ou futuro?

O ano passado foi um marco para o ESG. O conceito, criado no começo dos anos 2000 para abrigar um leque de boas práticas ambientais, sociais e de governança das empresas, nunca teve tanta relevância. O tema continua crescendo e ganhando cada vez mais espaço nos ambientes corporativos em 2021.  

Mas, nem sempre foi assim. O ESG se tornou um modelo de segurança para investidores apenas nos últimos anos, quando os relatórios passaram a indicar que o bom desempenho nos parâmetros ESG estava relacionado a melhores resultados financeiros.

Na verdade, houve muita descrença quando se falava em sustentabilidade ambiental, social e de governança. De um lado, ambientalistas e economistas apresentavam cenários opostos em que procuravam justificar que o crescimento de um atrapalharia inevitavelmente o do outro. A Eco92, no Rio de Janeiro, em 1992, sintetizou este momento: ali estavam países recém-saídos de recessões históricas e gigantes econômicos que começavam a mostrar suas caras. No entanto, a reunião também já dava um alerta inequívoco ao mundo de que o meio ambiente cobraria a dívida do descaso – e não seria em dinheiro.

Passados alguns anos, aqueles sinais se materializavam diante dos nossos olhos. As mudanças climáticas já afetavam cada vez mais o planeta, seja pela falta ou pelo excesso de chuva, a baixa qualidade do ar, a elevação dos oceanos, entre vários outros fatores. Mesmo assim, o mercado financeiro seguiu ditando as regras do jogo, deixando o tema do meio ambiente em segundo plano.

Mas, por que o assunto voltou com tanta força em 2020?

A ascensão rápida do ESG

O ESG, na verdade, nunca foi esquecido. Em 2005, por exemplo, ele era o centro de um artigo chamado Who Cares Wins ("Quem se importa vence"), publicado pelo economista Ivo Knoepfel na revista Forbes. O texto reagia à convocação do então secretário-geral da ONU, Kofi Annan, para que os 50 CEOs das maiores instituições financeiras do mundo participassem com a entidade de uma iniciativa conjunta de integrar o ESG nos mercados de capital.

No entanto, foi o maior fundo de investimentos do mundo, com cerca de US$ 7 trilhões em ativos, a americana BlackRock, que foi responsável pela ascensão do conceito em 2020.

Na metade do ano, Larry Fink, CEO da empresa, enviou uma carta para alguns dos principais CEOs do mundo com uma bomba: ele deixaria de investir em qualquer organização que não tivesse projetos sustentáveis ou, mais do que isso, que não apresentavam nenhum propósito.

Logo em seguida, o maior fórum econômico do mundo, em Davos, na Suíça, também debateu o assunto exaustivamente. Foi quando o ESG passou a figurar em diversos veículos da imprensa especializada global, como as revistas Forbes e Financial Times, por exemplo.

Por que ESG não é uma moda?

Esses dois acontecimentos, por si só, já revelam que a economia global está preocupada com o meio ambiente, como talvez nunca esteve. Por isso, está procurando soluções que articulem o crescimento com a preocupação ambiental – e o ESG é o primeiro e mais importante deles até agora. Nesse sentido, já é possível dizer que o conceito não é passageiro, isto é, não é uma “moda”, como outros que já apareceram no mundo dos negócios no passado.

Mas há outra justificativa para isso: os fundos ESG, sendo hoje alguns dos principais critérios de decisão de investimentos de empresas, corporações e até governos, se adéquam à teoria econômica à medida que, gerando melhores resultados econômicos, tendem a crescer ainda mais. É um ciclo que se forma: boas práticas de gestão otimizam a performance dos negócios que, entendendo seus resultados a partir dessa postura procuram continuá-las e aperfeiçoá-las atraindo ainda mais a atenção do mercado e, então, melhorando constantemente suas práticas.

Justamente o contrário do que é uma moda empresarial.

E, como diz um antigo ditado popular, de que “quem chega antes na fonte, bebe água mais limpa”, a implementação do ESG agora pode ser o início de um longo caminho de sucesso para as empresas brasileiras. O país ainda está começando a se inteirar do conceito: a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima) estima que o montante aplicado em fundos de ações sustentáveis no Brasil somava R$543,4 milhões em junho do ano passado – apenas 12% de todo o patrimônio nacional de fundos de ações.

Nós, da Funcional Consultoria, podemos ser parceiros estratégicos do seu negócio rumo à sustentabilidade e aos resultados positivos que o mercado oferece por meio do ESG. Fale com a gente sobre isso e, quem sabe, você poderá ser um dos primeiros a beber água dessa fonte.

 

Alexandre Mori, head de expansão da Funcional Consultoria