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Como o ESG já mudou o mundo neste ano – e como vai seguir mudando em 2022

Se no começo do ano nós perguntávamos, já com a resposta na boca, se o ESG era moda ou futuro para os negócios, o passar dos meses deu ainda mais fôlego à segunda opção. A Climate Bonds Iniciative acabou de publicar um relatório, onde mostra que, em 2021, fundos verdes ao redor do mundo alcançaram a marca dos US$ 400 bilhões (R$ 2,19 trilhões) neste ano, quase o dobro do recorde registrado em 2020, de US$ 270 bilhões (R$ 1,47 trilhão). Segundo os dados, cerca de US$ 54 bilhões (R$ 285 bilhões) desse montante foram investidos em fundos ESG. Em outras palavras, nunca tanto dinheiro circulou no mundo em busca de empresas responsáveis nos âmbitos sociais, corporativos e sustentáveis.

Números como esse refletem, de forma geral, o crescimento da relevância tanto da demanda global por investimentos em empresas que se preocupam com parâmetros de sustentabilidade como, principalmente, do foco no ESG como canal que condensou essa procura. Mas, para além deles, o ano foi marcado por uma série de episódios em que o conceito, de alguma forma, modificou não apenas os dados, mas as formas de pensar.

A Bloomberg contou, por exemplo, como a gigante petrolífera americana Exxon Mobil passou a ter diretores em seu conselho responsáveis por administrar algumas das práticas do ESG dentro da empresa. Um deles, inclusive, assumiu o cargo com a função de fiscalizar mais de perto a atuação de lobby da companhia, visando analisar os impactos sociais e sustentáveis, já que a atuação da Exxon é extremamente poluente.

Já do ponto de vista da governança, um estudo da PwC mostrou que, no Reino Unido, os salários de executivos caíram quase pela metade depois que o ESG se tornou uma demanda efetiva dos acionistas das empresas. Muitas delas aproximaram suas remunerações por pressões de investidores, que passaram a exigir critérios mais claros para diferenciar os pagamentos.

Muitos exemplos vêm das próprias organizações, como é o caso da Patagonia, de roupas, que colocou à disposição do mercado inteiro de quem ela compra cada item para produzir suas peças.

Há bons exemplos no Brasil também: em um país marcado pela pauta ambiental, a Ambev conseguiu diminuir em quase 5% o uso de água em 2020 na comparação ao ano anterior, o que era uma de suas metas dentro do ESG. Em meio à pandemia, foi ela quem doou um dos recursos mais significativos para o trabalho de atendimento: R$ 150 milhões. Já a Boticário, por sua vez, conseguiu, enfim, fazer com que 100% dos resíduos das suas fábricas fossem reutilizados, o que fez com que as emissões delas caíssem de forma continuada de 2018 para cá. A Suzano, por fim, criou um programa de descarbonização da sua cadeia que pretende diminuir o volume despejado na atmosfera em 15% até 2030.

O que vem em 2022?

Apesar do ESG ter canalizado, principalmente, as preocupações mundiais em torno do clima, a expectativa geral é que o conceito chegue a outros segmentos do mundo dos negócios a partir do ano que vem. Isso se vê no fato de que muitos investimentos que estavam em organizações que atuam com combustíveis fósseis foram transferidos para startups ou empresas de tecnologia. Nos EUA, isso já é significativo, por exemplo, nos recursos investidos nas gigantes Amazon e Alphabet (que controla o Google).

Isso vai exigir, por outro lado, que o ESG também se torne um instrumento efetivo de administração de dados – que já são um valor em si só. Hoje, esse embate tem se concentrado na cibersegurança, que recebe investimentos tanto de empresas quanto de governos para que faça esse processo acontecer de forma confiável. Além disso, do ponto de vista de governança, as gigantes da tecnologia têm sido instadas a divulgar como estão trabalhando com o ESG em todos os seus relatórios, mesmo que elas já estejam entre as maiores receptoras de Investimentos desse tipo de fundo.

Por fim, o ESG também fez valer sua expansão quando, em meio à pandemia, os regimes de trabalho foram sensivelmente impactados. Em casa, as empresas precisaram criar meios para manter a produtividade de antes e, ao mesmo tempo, encontrar formas de assistir e lidar com as novas condições dos colaboradores. Mesmo depois, com o regresso gradual, o desafio foi elaborar diretrizes para que todos permanecessem seguros.

Em 2022, toda essa transformação terá impactos significativos sobre como as pessoas vão trabalhar – e não à toa a expressão "híbrido" tem se tornado cada vez mais comum entre as empresas. A flexibilidade do trabalho exigirá, por um lado, que elas reorganizem e reavaliem a forma como produzem, remuneram e atuam com seus recursos humanos, enquanto, do ponto de vista do universo empresarial, o desafio será organizar toda essa nova relação de trabalho.

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