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Alta nos preços de soja e milho trazem nova visão de propriedade

O mercado começou o ano aquecido com previsões positivas em relação aos preços para a safra 20/21.

Inclusive, os preços das commodities agrícolas tiveram saltos e valorização que não era vista desde 2014. Os preços aumentaram entre 14 e 19% em 2020, segundo o estudo da UBS, que também afirma que essa tendência de alta deverá continuar até o segundo semestre de 2021.

Além disso, a Companhia Nacional de Abastecimento publicou há algumas semanas que a safra de grãos deve atingir um novo recorde de 265 milhões de toneladas na temporada 2020/2021 – 3,5% a mais que na anterior. A expectativa é que o período iniciado a partir desde ano termine com nova alta, desta vez de 3,1%. Só a soja deve ter expansão de 7,1% em sua safra, assim como o algodão (12%) e o feijão e arroz (2,5%).

No Brasil, especificamente, as primeiras tendências para o agro apontam para uma continuidade dos bons resultados do ano passado, quando o cenário foi favorável para o carro-chefe da economia do país.

O bom momento vivido no setor nos primeiros dias de 2021 em relação à demanda de grãos e produtividade, também faz o agronegócio estar no centro das atenções de investidores.

Hoje, depois dos primeiros 50 dias do ano, já é possível colocar as previsões lado a lado com a realidade – e o que vemos é que, se aquelas que apontavam problemas na produtividade não se confirmaram, os prognósticos que diziam que a demanda por grãos brasileiros iria aumentar pareciam corretos. Tanto para exportação quanto para o consumo interno, os primeiros números apontam para uma busca maior por alguns desses produtos agrícolas.

Do ponto de vista do mercado, isso faz muitos investidores enxergarem o agronegócio como uma fonte real de ganhos, e eles não devem deixá-lo tão cedo.

Variáveis X Produção e Minimização de Riscos na propriedade

Todas essas variáveis afetam a produção rural e a cadeia do agro. No entanto, essa onda de otimismo do começo de 2021 não pode ser encarada às cegas. Isso quer dizer que há percalços que podem surpreender ao longo deste ano, como as incertezas em relação à demanda exterior (da China, sobretudo), a instabilidade da moeda brasileira frente ao dólar ou a crise econômica do país.

Estar atento a tudo isso e trabalhar de maneira preventiva é essencial para lidar com possíveis adversidades que venham a acontecer.

Apesar do agronegócio brasileiro ter ido na contramão dos demais setores com a pandemia de Covid-19, as duras críticas internacionais relacionadas à produção agrícola brasileira colocam os olhares do mundo de maneira mais intensa às práticas do maior produtor de alimentos do mundo.

Sem contar também um outro fator que tem cada vez mais lugar no jogo internacional: o ESG.

Por isso, adotar um olhar mais corporativo para a propriedade rural, tornando-a uma empresa, pode prevenir possíveis surpresas de mercado, pois a visão de futuro e a previsibilidade são ferramentas poderosas.

A importância do ESG

Environmental, social and corporate governance (ESG) ou, em português, Ambiental, Social e Governança (traduzido para “ASG”) é a forma como consultorias, bancos e fundos de investimento têm construído critérios para definir o quanto uma empresa é capaz de receber investimentos, adquirir empréstimos ou mesmo definir o seu desempenho de mercado.

Vão desde respostas das empresas à mudança climática, como elas atuam no manejo da água, quais são suas políticas efetivas de prevenção a acidentes, como elas lidam com suas cadeias de produção e como atuam com relação à saúde dos seus colaboradores.

Ou seja: hoje, nos grandes mercados internacionais, é o ESG que dá as cartas sobre quais negócios são mais ou menos atrativos para os investidores.

É por isso que o ESG é conhecido também pela expressão "sustainable investing" ("investimento sustentável"): ele é um guarda-chuva que representa a busca por investimentos positivos e cujos retornos não sejam aferidos apenas em termos financeiros, mas também em impactos de longo prazo na sociedade, no meio ambiente e, claro, nos resultados dos negócios. Para saber mais sobre ESG, leia nosso artigo completo sobre o tema clicando aqui.

O ponto é que, para os produtores do agronegócio, o ESG entrega perenidade de ganhos e perpetuidade das atividades, sem deixar de proporcionar ganhos reais de forma rápida, já que a “propriedade-empresa” – assumindo os critérios de ESG – se torna mais atrativa para investidores, criando assim novas formas de financiar sua produção.  Além disso, ganha transparência em mercados onde ela está sendo cada vez mais o elemento decisivo para que as trocas aconteçam.

Sendo assim, por que esperar pelos riscos das previsões ou pelas pressões do mercado por mudanças nas atividades? Por que aguardar que a demanda exija mais competitividade do seu negócio se é possível melhorá-la – e largar na frente – desde já?

 

Se repensar, analisar e agir de forma diferente pode ser um grande desafio para alguns negócios, ele pode ser o ganho real de produtividade e faturamento para outros. Em todos os casos, a Funcional Consultoria pode ajudar.

 

Escrito por Alexandre Mori, head de expansão da Funcional Consultoria