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4 índices essenciais para apurar a capacidade financeira do seu negócio

Diariamente, os administradores encontram-se imersos em um importante volume de informações e relatórios gerenciais que lhes oferecem dados para embasamento e análise da situação atual da organização. E dois desses indicadores são extremamente fundamentais: Lucratividade e Liquidez.

A lucratividade compreende os aspectos econômicos dos negócios e a liquidez abrange os fatores os financeiros.

Uma empresa pode apresentar resultados positivos ao final do exercício, mas pode possuir complicações caso o fluxo de caixa não esteja completamente ajustado. Por exemplo, realizar vendas com prazos de recebimento superiores aos prazos para pagamento dos fornecedores. 

Neste artigo, você verá como calcular os índices de liquidez. Antes, acompanhe análises de casos referentes à apuração de lucro e os fatores que influenciam positivamente e negativamente na apuração de resultado do seu negócio.

Análise de caso: lucro sem liquidez

Primeiro, analisaremos um caso simples que nos permitirá verificar a importância do índice de liquidez. Veja:

Para a fabricação de um determinado produto a empresa XYZ tem as seguintes despesas no primeiro mês de atividade: matéria prima, mão-de-obra, energia elétrica, aluguel, entre outras. 

Essas despesas irão vencer nos próximos 30 dias. Os produtos, depois de finalizados, levarão cerca de 15 dias até serem entregues aos clientes. E, por conseguinte, os compradores terão um prazo médio de pagamento de 60 dias.

Digamos que a venda dos produtos, considerando todas as despesas mencionadas, proporcionam à empresa um lucro de R$1.000 (custo para produção: R$2.000; resultado das vendas: R$3.000).

Depois de 30 dias, a empresa precisará desembolsar R$2.000 para honrar os compromissos com fornecedores. Mas os R$3.000 referentes às vendas serão recebidos somente dentro de 75 dias (prazo de entrega + prazo de pagamento). 

Resultado: a empresa apresenta-se lucrativa, porém sem liquidez que permita cumprir com suas obrigações.

Dando sequência à análise, agora vamos ao segundo mês, que se inicia com o mesmo cenário. Logo nota-se que após 60 dias, a empresa precisou desembolsar a importância de R$4.000 para cobrir as despesas de produção e ainda não obteve a receita resultante das primeiras vendas.

Consequência: durante dois meses a organização fica com o faturamento comprometido com instituições financeiras.

Enquanto os custos financeiros não absorvem o lucro, a empresa ainda consegue operar com certa segurança, mesmo que os fornecedores já comecem a demonstrar preocupação com possíveis problemas de inadimplência.

O que fazer sem liquidez?

Uma saída adotada por parte dos gestores nessas situações é recorrer a empréstimos bancários ou descontar duplicatas, transformando-as em dinheiro para quitar as despesas. 

Obviamente, essa engenhosidade possui um custo que precisa ser considerado no momento da realização do cálculo de lucratividade da empresa, uma vez que esse custo absorve parte do lucro.

Analisando um caso simples como esse, o que poderia dar errado e comprometer as atividades da empresa? 

Quais fatores podem colocar as atividades da empresa em risco?

Inadimplência: um dos problemas seria o pagamento com atraso por parte dos clientes ou, até mesmo, a impossibilidade de recebimento no caso de falência de alguns. Isso comprometeria a liquidez e, consequentemente, os lucros. 

Outro problema seria a queda no faturamento através da redução das vendas, o que condenaria completamente o fluxo de caixa da organização.

Tais circunstâncias levariam a empresa a captar recursos para financiar o estoque, que está parado.

Parece um raciocínio muito radical? Analisando cuidadosamente, vemos que não é incomum o lançamento de novos produtos que não encontram aceitação no mercado e terminam estocados nas prateleiras. Empresários do mundo da moda e inovação, por exemplo, compreendem bem a dificuldade envolvida no lançamento de novos materiais.

Existe também a situação de produtos que passam pela aceitação do público, mas, posteriormente, apresentam problemas e a empresa precisa retirá-los do mercado. São itens que não possuem condições de retorno devido à perda da credibilidade e que resultam em perdas efetivas.

Citamos apenas algumas das adversidades que podem colocar a empresa em um estágio bastante delicado.

Ainda que essas eventualidades não interfiram no resultado operacional, geralmente uma percentagem dos recursos financeiros das organizações são resguardados para investir em novas máquinas e equipamentos, expansão, instalações, desenvolvimento de produtos e de pessoal. 

Portanto, podem afetar negativamente a liquidez da empresa num primeiro momento.

Análise de caso: liquidez sem lucro

Também não é raro nos depararmos com o inverso do que vimos até agora: a empresa possui liquidez, mas não tem lucratividade. Isso pode acontecer quando os valores das duplicatas referentes às vendas são recebidos antes dos vencimentos com fornecedores.

Por exemplo: digamos que o prazo médio de recebimento de clientes é de 30 dias, enquanto o prazo médio de pagamento aos fornecedores é de 45 dias e a margem de lucro estipulada pelo administrador não é suficiente para gerar o lucro necessário para cobrir as despesas e honrar os compromissos da etapa de produção.

Apesar dessa tese parecer tão óbvia, por que muitos gestores ainda não conseguem visualizar os problemas relacionados a falta de liquidez?

A complexidade começa pelo fluxo de compra e venda, que não é tão simples. 

Situações que afetam fluxo de compra e venda

Sazonalidade: produtos que têm suas demandas alteradas de acordo com a estação do ano, por exemplo;

Grande quantidade de produtos em estoque, devido a vendas abaixo da expectativa; 

Planejamento mal elaborado para administrar processos de compra, venda ou produção, tornando o processo como um todo de difícil percepção aos olhos de um gestor que não é especialista em administração financeira e controladoria.

Apesar de existirem excelentes profissionais especializados em finanças, o número de empresas que possuem um bom planejamento estratégico e financeiro ainda é muito baixo. 

Inclusive, a falta de planejamento também é um fator que contribui para o índice divulgado pelo Sebrae: uma em cada quatro empresas encerram as atividades antes de completar dois anos de vida.

Índices de Liquidez para análise de solvência

O conceito de solvência e liquidez estão diretamente relacionados, uma vez que a solvabilidade das organizações pode ser calculada utilizando indicadores de liquidez.

Solvência: na concepção das finanças e da contabilidade esse é o ponto em que a  empresa tem os valores de ativos superiores aos passivos, ou seja, a empresa possui capacidade de honrar seus compromissos utilizando os valores que constituem seu patrimônio líquido;

Liquidez: no geral, a liquidez representa a capacidade de a empresa quitar suas despesas a partir da comparação entre os direitos realizáveis e as exigibilidades.

É importante ressaltar que as informações utilizadas para a realização do cálculo desses índices são extraídas do balanço patrimonial, e por isso essas informações precisam estar sempre atualizadas para que os índices resultantes dos cálculos sejam verdadeiros e confiáveis.

Índices de liquidez fundamentais e como calculá-los

Liquidez Geral: utilizado para verificar a capacidade de pagamento de dívidas de longo prazo, ou seja, honrar com praticamente todas as obrigações. Portanto, para o cálculo utiliza-se o AC; RLP; PC e OLP. Sua fórmula é: 

Liquidez Corrente: utilizado para verificar a capacidade de pagamento da empresa no curto prazo, isto é, a capacidade da empresa em cumprir com seus compromissos vencíveis no exercício seguinte ao do encerramento do balanço. Nesse caso, consideramos o AC e o PC para o cálculo. Sua fórmula é:

Liquidez Seca: utilizado para realizar uma análise mais conservadora da liquidez da empresa, pois não considera os valores de estoque na realização do cálculo. É mais utilizado por empresas que não conseguem liquidar seus estoques com facilidade para gerar receitas. Sua fórmula é:

Liquidez Imediata: aponta quanto a empresa possui em recursos para liquidar obrigações imediatas. Nesse caso, considera-se somente os saldos de banco e de caixa. Sua fórmula é:

Como interpretar o índice de liquidez?

O índice de liquidez é interpretado da seguinte maneira: digamos que o resultado do cálculo da liquidez imediata seja igual a 0,58. Isso significa que, considerando apenas os recursos do disponível (saldo do banco + saldo de caixa geral), a empresa dispõe de R$0,58 para cada R$1,00 de dívida, ou seja, não possui liquidez imediata.

Quanto mais alto for o índice de liquidez, mais financeiramente saudável está a empresa. 

Os níveis de liquidez considerados bons são aqueles superiores a 1 e variam conforme as características das atividades e de mercado da empresa.

Por onde começar a análise dos índices de liquidez e de lucratividade? 

Ao iniciar a próxima semana, analise a lucratividade da sua empresa nos últimos 12 meses, verifique como foi a liquidez durante o mesmo período e como está o desenvolvimento do que foi planejado para os próximos seis meses. 

Caso tenha dificuldade para decifrar os números e não consiga chegar a uma conclusão convincente, talvez seja o momento de contatar um profissional ou uma empresa especializada em controladoria e gestão financeira

O sucesso também é consequência de um profundo conhecimento sobre índices de liquidez e de lucratividade de sua empresa. 

 

Ayslan Vinicius Guetner, consultor de processos empresariais na Funcional Consultoria

 

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